MOVIMENTO DOS ESCRITORES INDEPENDENTES -PE-

Cultura

Os princípios que nortearam as discussões dos poetas independentes em Pernambuco com vistas ao Encontro Nacional que ocorreria no Ceará, em 5, 6 e 7 de setembro de 1981:

a) Independência ante a sociedade opressiva e seus valores pré-estabelecidos;
b) Independência ante o governo, órgãos estatais e empresas editoriais, não aceitando interferências a respeito do conteúdo e da forma de suas criações teóricas ou literárias;
c) Independência ante pressões vindas do meio intelectual ou político no sentido de impor, padronizar ou restringir temas e formas (livre expressão dos momentos do escritor, que só a sua sensibilidade cabe determinar);
d) Independência de cada escritor nos seus posicionamentos filosóficos, teóricos, político-ideológicos, nas suas opções por correntes e movimentos literários, em tudo que diz respeito à editoração, divulgação e distribuição dos seus livros;
e) Independência ante todos os modelos culturais alienígenas à cultura brasileira.

Como se pode perceber os Independentes não definiram em sua “carta de princípios” nenhum novo cânone de motivação estética, na verdade a ausência de um cânone é o que caracterizava a produção do Movimento, a Independência sem cortes. O aspecto anárquico que se consolida nas posições político-filosóficas e, principalmente estéticas.

Podemos falar em um movimento antiprovinciano, que instiga e cutuca o sentimento de preservação e conservadorismo de uma crítica e de uma sociedade de coronéis e generais cujos princípios são a farda da tradição e do conservadorismo literário com o qual se cercam no sentido de estabelecer os muros que impõem limite para o desenvolvimento dos códigos de “qualidade” por elas estabelecido. Na verdade, no Movimento de Recife encontramos, no mesmo barco, os poetas populares (repentistas e emboladores), os Independentes, que deles herdaram a caracterização de movimento de rua, até um sonetista mais recluso e ensimesmado como Cícero Melo, não obstante, como em todo o movimento, apenas uma meia dúzia assumisse as rédeas das atividades desenvolvidas, entre eles, Francisco Espinhara, Cida Pedrosa, Eduardo Martins, Héctor Pellizzi e Fátima Ferreira, que organizavam e executavam os projetos de editoração e divulgação da produção da época, bem como os eventos promovidos.

Estes autores formaram o que se convencionou chamar “grupo embrionário do Movimento” aos quais se juntaram, entre muitos outros cujos registros ainda não se conseguiu documentar Adelmo Vasconcelos, Samuca Santos, Jorge Lopes, Raimundo de Moraes, França, Erickson Luna, Inaldo Cavalcanti, Cícero Melo, Dione Barreto, Geni Vieira, Marcílio Medeiros, Manuzé e Luis Carlos Monteiro, que colocamos em uma pequena amostra da poesia produzida por outro membros do movimento, além dos que estudaremos ao longo do trabalho.

Os demais Francisco Antonio de Paula Machado (Chicão), Lara, Valmir Jordão, Caesar Sobreira, Amara Lúcia Sanches e Martins Avanilton Aguilar, Marcelo Mário Melo, Maria Celeste, Lenilda Andrade, Don Antônio, Azimar Rocha, Celso Mesquita, Wilson Freire, Jailson Marroquim, Joaquim Cezário de Mello, Jayme Benvenuto Júnior, Sérgio Lima e Silva, Fred Caminha, Pedro do Amaral Costa, Wadson de Paula, Dôra Gusmão, Juhareiz Correya, Claudionor Loyola, Manuzé, Ricardo Antunes, Josualdo Menezes, Mônica Franco, Wilson Mota (Miltinho), Jorge Verdi, Belmar, os músicos Romana Mensard e Talis Ribeiro embora não estejam na antologia participaram e contribuíram de maneira decisiva para a nova postura frente a bem comportada literatura pernambucana dos anos 60 e 70.
Estes poetas perceberam ainda nesta nova postura, o renascer das ruas do centro do Recife naquilo que lhes é mais marcante: a efusão lírica, já que àquela época, além de ostentarem belos nomes, as ruas eram símbolos da resistência ao odor de urina, dos restos de frutas e da miséria no chão, que passou a se confundir com a beleza do Rio Capibaribe e, consequentemente, da cidade, um espaço em que não cabe mais o lirismo “namorador, raquítico e sifilítico” ao qual faz referência Manuel Bandeira.

DO LIVRO: Movimento dos escritores independentes de Pernambuco:
história e produção literária de Maria Elizabete Sanches
Eduardo Martins

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